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O passo a passo para uma eficiente coleta seletiva em condomínio

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O passo a passo para uma eficiente coleta seletiva em condomínio

A coleta seletiva, seja ela em um condomínio ou em qualquer outro estabelecimento, é o ato de recolher os resíduos produzidos após a sua devida separação em recicláveis e não recicláveis.

De forma resumida, os recicláveis são: plásticos, metais, papéis, vidros etc. Os não recicláveis são materiais orgânicos ou rejeitos não recicláveis, que devem ser despejados em aterros sanitários.

O recolhimento desse material geralmente é feito pelo serviço público ou por empresas, que coletam o material diretamente nas casas. Mas também existem os chamados PEV – Pontos de Entrega Voluntária, espalhados em farmácias, lojas de materiais de construção, shoppings centers, praças públicas, entre outros locais indicados para a entrega de todo tipo de resíduo produzido pelo homem.

No entanto, o recomendado é que antes de pensar em separar e coletar esses resíduos todo cidadão tenha em mente que o mais importante é aderir ao movimento cuja bandeira são os 3R: REDUZIR a produção de lixo, REUTILIZAR ao máximo os materiais, e só depois RECICLAR o que sobrou.

Essa é considerada a forma mais moderna de lidar com os produtos oriundos da indústria – e mesmo da natureza –, ajudando, com isso, a preservar o meio ambiente e garantir a existência das gerações futuras.

O reaproveitamento dos materiais deve anteceder a preocupação com o descarte e a coleta de resíduos.

Com relação à reciclagem, por exemplo, os seus benefícios são considerados inquestionáveis, pois diminui os custos das empresas com aquisição de matéria-prima, o consumo de água e energia, evita a necessidade de criação de novos lixões para o despejo de resíduos, torna uma cidade mais espaçosa (já que locais antes ocupados por aterros terão outra função), além de oferecer produtos mais baratos (pelo fato de serem produzidos com material reaproveitado).

E para facilitar ainda mais todo o procedimento, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), por meio da Resolução nº 275, de 25/07/2001, determinou que empresas, órgãos públicos, residências e condomínios realizem a coleta seletiva por meio de recipientes coloridos, que contenham, de forma bastante legível, todas as informações necessárias para que esse processo ocorra da maneira mais eficiente possível.

Qual a importância de uma coleta seletiva eficiente?

Além de garantir a sobrevivência das gerações futuras – o que por si só seria motivo suficiente para implementar esse tipo de ação –, uma eficiente coleta seletiva é capaz de reduzir a emissão de diversos gases prejudiciais à atmosfera; diminuir a intensidade da exploração dos recursos naturais; preservar o solo da erosão e contaminação por materiais tóxicos; aumentar os lucros das empresas, já que diminuirá os custos com aquisição de matérias-primas; entre outras vantagens.

Além disso, indústria, comércio e o setor de serviços evitam o desperdício de materiais utilizados em seus processos; mantêm um ambiente constantemente saneado – e que tem a ver com fatores psicológicos que interferem na produção. Os condomínios se beneficiam com a coleta seletiva, na medida em que ela torna o ambiente mais limpo e organizado. Isso fortalece os vínculos de respeito e a política de convivência entre os moradores, diminui os gastos com limpeza e traz outros benefícios.

Para ter uma ideia da importância dessa iniciativa, 100 kg de petróleo bruto deixam de ser extraídos com a reciclagem de 10 toneladas de plásticos, o que representa uma menor emissão de CO2 na atmosfera; 100 kg de papel reciclado significam 1 árvore que deixa de ser derrubada na natureza e, consequentemente, a economia entre 4 e 5% de energia elétrica e a redução do consumo de pelo menos 1000 m³ de água.

E mais, a reciclagem de alumínio e vidro controla a extração de minério e o risco da degradação do solo, e da água, como consequência; 3 KWh de energia elétrica deixam de ser consumidos com a simples reciclagem de 9 toneladas de aço; além de vários outros benefícios de valor incalculável.

E como forma de aderir a esse movimento, no setor empresarial já existe uma estratégia de produção conhecida como Logística Reversa, que consiste em receber de volta os produtos fabricados, para que as empresas possam transformá-los em novos produtos.

Com isso, elas poderão reduzir os custos e aumentar os seus lucros, graças à diminuição da aquisição de matéria-prima; ganhar tempo, pois os produtos serão fabricados a partir de uma base pronta; reduzir o consumo de água e energia, pelo mesmo motivo; entre outras vantagens.

Cada 100 quilos de papel reciclado significam uma árvore que deixa de ser derrubada na natureza.

Qual é o passo a passo para uma coleta seletiva em um condomínio?

1. Determine como será feita a coleta

Antes de dar início a essa ação, é importante decidir (caso o condomínio não esteja entre os selecionados pela prefeitura) se a coleta será realizada por empresas particulares, cooperativas, ou se os resíduos serão encaminhados pessoalmente até os PEV – Postos de Entrega Voluntária.

No entanto, é importante salientar que as empresas privadas oferecem um serviço bem mais completo, já que executam todo um projeto de coleta seletiva específica para condomínios.

Esse projeto inclui análise da viabilidade e da estrutura do local, adequação ao sistema de coleta seletiva, treinamento de funcionários (ou mesmo dos moradores), entrega de relatórios com a quantidade de resíduos produzidos pelo condomínio e a sua destinação, além de garantir que o local seja certificado como ecologicamente correto.

2. Analise os riscos de cada material coletado

Essa é uma preocupação que pode parecer banal, mas não custa lembrar que a coleta seletiva significa o acúmulo de vários tipos de materiais, desde os mais simples até os extremamente tóxicos ou mesmo radioativos.

Portanto, o recomendado é que o condomínio celebre um contrato com uma empresa seguradora, e a mantenha informada sobre cada tipo de material separado para coleta, a fim de que possa haver a indenização em caso de acidentes e demais transtornos resultantes dessa operação.

3. Capacite os responsáveis pela separação dos resíduos

Para uma eficiente coleta seletiva em condomínios, também é necessário que os envolvidos na separação dos resíduos estejam devidamente capacitados e equipados para manipular os mais diversos tipos de materiais, como vidros, restos de medicamentos e material hospitalar, pilhas, equipamentos eletrônicos, entre vários outros materiais semelhantes.

Logo, é preciso que os funcionários recebam treinamento adequado, por meio de palestras, cursos, áudio, vídeo etc. Também devem receber equipamentos, como luvas, botas e máscaras. Obviamente, o adicional por insalubridade deve ser pago, assim o condomínio funcionará de acordo com o que está estabelecido em lei.

O treinamento dos funcionários deve ser um dos primeiros passos antes de se iniciar a coleta seletiva em um condomínio.

4. Conheça o esquema de coleta da prefeitura

Nesse caso, significa saber o dia e a hora em que os caminhões da prefeitura são designados para coletar o material em cada região da cidade, mas também a rotina dos catadores de rua, para que possa haver uma melhor interação entre estes e os moradores.

Em grandes condomínios, é essencial a escolha de um local permanente na calçada para que todo o resíduo produzido seja acondicionado no dia do recolhimento, pois esse procedimento evitará futuras dores de cabeça com multas e a proliferação de doenças relacionadas com o acúmulo de sujeira.

5. Determine o posicionamento das lixeiras

Esse tipo de preocupação deve anteceder o início dos trabalhos de coleta de resíduo, pois facilitará o recolhimento por parte das empresas ou da prefeitura (que geralmente recolhem o material no máximo duas vezes por semana), além evitar desculpas pelo não recolhimento por parte dos moradores.

Portanto, determine o melhor local para a colocação das lixeiras, que seja bastante visível e de fácil acesso. Também observe se já existem lixeiras para recolhimento de resíduos do condomínio; e, em caso positivo, apenas instale ao seu lado um container para material reciclado, a fim de aproveitar o hábito dos moradores de colocar o material ali.

6. Mantenha a limpeza dos containers

Como foi dito, o recolhimento do material separado para reciclagem geralmente é feito uma ou duas vezes na semana. Portanto, o ideal é que o local onde estão as lixeiras mantenha-se fechado e higienizado, com o objetivo de evitar a proliferação de fungos e bactérias.

Também é recomendado um local arejado, afastado de regiões onde passem correntes elétricas ou que mantenham os resíduos expostos ao sol, pois, em sua maioria, são formados por objetos que, pelas suas características, podem ser bastante inflamáveis.

Qual o padrão de cores que as lixeiras devem seguir?

A Lei nº 6.938, de 31/08/1981 e o Decreto nº 3.179, de 21/09/1999, autorizam o CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente – a “estabelecer o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva”.

Essa lei foi instituída, “considerando que as campanhas de educação ambiental, providas de um sistema de identificação de fácil visualização, de validade nacional e inspirado em formas de codificação já adotadas internacionalmente, sejam essenciais para efetivarem a coleta seletiva de resíduos, viabilizando a reciclagem de materiais” (Resolução nº 275, de 25 de abril de 2001).

Assim, o CONAMA determinou as seguintes cores que deverão ser relacionadas com cada tipo de resíduo produzido:

  • Azul: papéis, papelões, revistas, jornais, caixas de sapato, embalagens longa-vida, entre outras feitas com esse material;
  • Verde: vidros em geral, como garrafas, frascos de conserva, copos, pratos etc.;
  • Amarelo: metais, objetos de alumínio, latas de cerveja e refrigerantes, utensílios de cozinha e demais objetos de uso doméstico feitos de metal;
  • Vermelho: plásticos, como copos, pratos, garrafas, sacos, sacolas, embalagens, brinquedos etc.;
  • Roxo: material radioativo, assim como pilhas, baterias de celular, aparelhos eletroeletrônicos, computadores e resíduos similares;
  • Preto: madeiras, compensados, fórmicas, molduras de quadros, rolhas de garrafas, objetos artesanais, entre outros;
  • Branco: específico para lixo hospitalar (e medicamentos), que, por serem materiais contaminados por vírus, fungos e bactérias, não são reaproveitados, mas devidamente incinerados em local apropriado;
  • Marrom: materiais orgânicos, como restos de comida, frutas e verduras, basicamente.
  • Laranja: recipiente para materiais perigosos, como: lâmpadas fluorescentes (que contêm mercúrio na forma de gás em seu interior), espelhos quebrados, vidros de esmalte e demais cosméticos, entre outros resíduos que contenham algum tipo de produto químico perigoso em sua composição, e que possam contaminar o ambiente durante o processo de reciclagem;
  • Cinza: para os demais resíduos que não possam ser reciclados ou considerados de difícil separação.

Quais cuidados se deve ter antes de realizar uma coleta seletiva?

Em primeiro lugar é preciso que haja as condições necessárias de espaço e localização para que se possa implantar a coleta seletiva em um condomínio ou residência, além de definir que tipos de resíduos poderão ser coletados, pois a coleta de materiais radioativos, por exemplo, pode ser inviável nesse tipo de ambiente.

Crie uma espécie de conselho em que haja um líder responsável por realizar campanhas de conscientização, divulgar informativos, cuidar para que todo o processo de coleta conste na norma interna do condomínio, fiscalizar o empenho dos moradores, entre outras ações.

Antes de iniciar a separação dos resíduos, é necessário certificar-se do dia e da hora em que os caminhões da empresa ou da prefeitura fazem a coleta do material, a fim de evitar o seu acúmulo e, consequentemente, riscos de doenças e multas por infração à lei.

Cuide de detalhes, como: onde serão acondicionados os resíduos e quantas vezes ao dia poderão ser descartados pelos moradores; local estratégico para a instalação dos containers e/ou lixeiras, que deverão ter fácil acesso e boa visibilidade; definir se a separação será feita por recicláveis e não recicláveis ou por tipo de material.

Também determine o número de lixeiras ou containers para a coleta de resíduos do condomínio, modelo, tamanho etc. Faça pesquisa de preços em vários estabelecimentos, a fim de viabilizar a implantação do esquema de acordo com as possibilidades do condomínio.

E, não menos importante, realize orçamentos com empresas ou cooperativas ou analise a vantagem de utilizar os serviços da prefeitura para a coleta do material.

E crie um consenso entre os moradores sobre o dia, a hora e a quantidade de armazenamento de resíduos, pois, como foi dito, a coleta geralmente é semanal, e o acúmulo do material pode trazer vários transtornos para o próprio condomínio.

Uma comissão responsável pelo acompanhamento da separação e coleta dos resíduos dará mais consistência à ação.

A coleta seletiva de resíduos está na “Ordem do Dia” nos países desenvolvidos. E você? Já está fazendo a sua parte? Deixe a resposta em um comentário logo abaixo. E continue acompanhando as nossas publicações sobre o tema.



Publicado em: 17/05/2018

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